terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Por onde anda Paulo de Paula?

Fazia um frio de doer numa manhã de junho de 1977, quando subi no elevador do edifício Hitz da Rua das Flores em Curitiba, para chegar até a sala de representação da gravadora CBS, cujo representante era o chateaubriandense e meu amigo Agenor Barbosa de Almeida. Naquele dia, ele iria me apresentar na Rádio Marumby, para um teste, onde acabei sendo aceito como estagiário de locutor.
Antes de irmos até a emissora, que funcionava a uma quadra do escritório da CBS, no centro da Capital, Agenor me disse que iria gravar um disco novo. Em 1976 ele havia gravado um “long play” (disco de vinil) com músicas da dupla Tonico e Tinoco, que não fizera sucesso. Ele estava muito empolgado com a gravadora (RGE) que iria lhe lançar com o nome artístico de Paulo de Paula e com a música do londrinense Zé da Praia. Sentado no sofá do escritório, Agenor pegou o violão e me disse: Senta aí, “ocê” vai ouvir em primeira mão a música de que acabei de fazer o último arranjo. Com sua voz inconfundível, que eu já conhecia das serenatas em Assis, ele cantou “Quarto de Mansão”, que se tornaria um grande sucesso no ano seguinte, no Brasil inteiro.
Finalizei o artigo da semana passada lembrando que “Paulo de Paula” foi o protagonista de uma das melosas histórias de fotonovela dos anos 70, em razão do grande sucesso conseguido na musica daqueles tempos. Mas isso foi só um capítulo nas grandes aventuras que ele viveu com “Quarto de Mansão”. Eram os bons tempos do nosso cantor, que chegou a participar de vários programas de televisão em rede nacional. Esteve no “Chacrinha” e no “Globo de Ouro”. Por causa dessa música, ele vendeu nada menos que 160 mil cópias do disco, chegando ao 3º lugar da “Parada Nacional de Sucessos”, um termômetro da música comercial brasileira.
Agenor Barbosa de Almeida nasceu em Minas, mas cresceu em Assis Chateaubriand, onde cantava com seu violão, sentado nos barrancos da Avenida Tupãssi. Foi locutor da rádio Porta Voz, uma emissora clandestina que já houve na cidade. Para ganhar dinheiro fazia pequenos shows, onde imitava o humorista Barnabé.
“Quarto de Mansão” deu muito dinheiro a Paulo de Paula, mas o sucesso, infelizmente, acabou e nosso artista nunca mais emplacou um sucesso do mesmo tamanho.
Em 1986, tive a oportunidade de trabalhar com Paulo de Paula, viajando por todo o Paraná, quando ele fez uma tentativa de dupla sertaneja com um gaúcho, numa parceria que não deu certo. Mas, mais uma vez, presenciei o carinho que as pessoas tinham por nosso cantor do ‘Quarto de Mansão’. Os shows ainda juntavam gente os fãs lhe pediam autógrafos, ma já era o início da decadência.
Cada vez mais distante das paradas foi ficando esquecido da grande mídia e voltou a trabalhar em rádio, até ficar doente há alguns anos. Aos 61 anos de idade e com sérios problemas nas cordas vocais e na coordenação motora, Agenor hoje está aposentado, andando com muita dificuldade e, sua voz quase não sai, nem para falar. É uma realidade (título de seu primeiro LP) triste para quem viveu momentos de glória, graças a música que lhe abriu as portas da fama.
Além de todos os prêmios que já recebeu, Paulo de Paula merece uma medalha por ter tido a coragem de se lançar no mundo do disco cantando em português, quando o mercado só tinha espaço para músicas americanas, cantadas em inglês. Um outro prêmio deveria ser lhe dado por fazer caminho para a música brega, cuja trilha foi seguida por Amado Batista e pelos sertanejos que ocupam o maior filão do mercado fonográfico de hoje. E, faço desse artigo, a minha homenagem ao amigo que me abriu as portas do mundo do rádio, me apresentando oficialmente para imprensa da Capital, o que me foi a primeira grande escola da comunicação que iniciei nos anos 70.
“Quarto de Mansão” já foi gravada inúmeras vezes por outros artistas, mas a interpretação de Paula de Paula, o carisma e o enorme coração de bondade desse chateaubriandense sempre será maior que a fama da própria música lhe deu alegrias.

11 comentários:

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  2. Fiquei feliz de saber noticias do eterno Paulo de Paula e ao mesmo triste pelo final do relato.Assimcomo milhares essa musica marcou minha vida la no interior das Minas Gerais. Valeu aquele abraço. Carvalho sempre

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  4. Infelizmente o mundo da música reserva algumas surpresas, alguns cantores conseguem ficar na mídia por muito tempo que não foi o caso de Paulo de Paula,isto é uma pena, pois gostaria que isso não tivesse acontecido. Torço pelas suas melhoras.
    Um abraço de quem curtiu suas músicas do compacto e do lp.
    Se tiverem alguma informação do estado dele,se puderem mandar para o email edirgomescurado@yahoo.com.br ficarei muito grato.

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  5. Paulo de Paula
    O cantor Paulo de Paula nasceu em Mantenas/MG em 1949.

    Um rapaz modesto e simples, mineiro de Mantenas, passou sua infância em Assis Chateaubriand, no Paraná. Começou a escalada para se colocar ao lado de Agnaldo Timóteo, Nelson Ned e até Waldick Soriano numa faixa muito específica de consumo de uma música popular, de imagens dramáticas, lacrimogêneas, ao gosto das pessoas mais simples.

    Nascido Agenor Barbosa de Almeida, Paulo de Paula teve várias profissões antes de seguir a carreira de cantor. Foi vendedor em uma loja Discolândia, em sua cidade natal e pintor, dentre outras atividades.

    Em sua cidade apresentava o festival das Casas Santo Antonio, vestido de papai Noel.

    Depois de tentar o gênero sertanejo, tendo inclusive gravado um disco em homenagem a Tônico e Tinoco (CBS, 1976), foi visto pelos técnicos de marketing da gravadora paulista RGE, como um cantor capaz de preencher uma faixa específica do mercado. O resultado é que o seu primeiro compacto, com a música "Quarto de Mansão" e "Moisés", Um Santo de Areia", vendeu nada menos que 160 mil cópias, chegando ao 3º lugar da Parada nacional de Sucessos, um termômetro da música comercial brasileira.

    Seus maiores sucessos foram "Cama Solitária" e "Quarto de Mansão". Seu primeiro LP recebeu o título de "Realidade".

    Atualmente Paulo de Paula vive na cidade de Curitiba/PR e trabalha em uma emissora de rádio, na qual é programador musical. Vem travado uma grande luta contra um mal na voz que o impede de cantar. Seus últimos trabalho foram lançados pela gravadora USA DISCOS de Porto Alegre e, recentemente a gravadora Som Livre lançou um CD com os grandes sucessos de Paulo de Paula, que esta a venda nas lojas do ramo.

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  6. Paulo de Paula
    O cantor Paulo de Paula nasceu em Mantenas/MG em 1949.

    Um rapaz modesto e simples, mineiro de Mantenas, passou sua infância em Assis Chateaubriand, no Paraná. Começou a escalada para se colocar ao lado de Agnaldo Timóteo, Nelson Ned e até Waldick Soriano numa faixa muito específica de consumo de uma música popular, de imagens dramáticas, lacrimogêneas, ao gosto das pessoas mais simples.

    Nascido Agenor Barbosa de Almeida, Paulo de Paula teve várias profissões antes de seguir a carreira de cantor. Foi vendedor em uma loja Discolândia, em sua cidade natal e pintor, dentre outras atividades.

    Em sua cidade apresentava o festival das Casas Santo Antonio, vestido de papai Noel.

    Depois de tentar o gênero sertanejo, tendo inclusive gravado um disco em homenagem a Tônico e Tinoco (CBS, 1976), foi visto pelos técnicos de marketing da gravadora paulista RGE, como um cantor capaz de preencher uma faixa específica do mercado. O resultado é que o seu primeiro compacto, com a música "Quarto de Mansão" e "Moisés", Um Santo de Areia", vendeu nada menos que 160 mil cópias, chegando ao 3º lugar da Parada nacional de Sucessos, um termômetro da música comercial brasileira.

    Seus maiores sucessos foram "Cama Solitária" e "Quarto de Mansão". Seu primeiro LP recebeu o título de "Realidade".

    Atualmente Paulo de Paula vive na cidade de Curitiba/PR e trabalha em uma emissora de rádio, na qual é programador musical. Vem travado uma grande luta contra um mal na voz que o impede de cantar. Seus últimos trabalho foram lançados pela gravadora USA DISCOS de Porto Alegre e, recentemente a gravadora Som Livre lançou um CD com os grandes sucessos de Paulo de Paula, que esta a venda nas lojas do ramo.

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    5. Belo trabalho Clóvis. Crônica que representa um tributo a este cantor que ao se despontar no cenário artístico na década de 70, levou o nome de Assis Chateaubriand além das fronteiras. Eu morava distante na época e acompanhei o grande sucesso deste singular cantor que conquistou o público e era um ícone que representava esta cidade. Que Deus abençoe sempre este artista onde estiver.

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